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Cirurgia plástica em adolescentes: entenda os riscos e os benefícios

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Você deixaria um(a) filho(a) adolescente se submeter a uma cirurgia plástica? Antes de balançar a cabeça e pensar instantaneamente no “não”, primeiro tente entender o motivo de o jovem querer fazer um procedimento estético.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069, de 1990, a adolescência abriga a faixa etária de 12 a 18 anos de idade. É justamente nessa fase em que ocorrem as transformações no corpo e, consequentemente, a insatisfação com algum detalhe da aparência.

Nestes tempos, em que o bullying é coisa séria e pode até matar, vale a pena observar se a queixa de um adolescente é apenas uma vaidade ou um problema real, o qual pode precisar de intervenção cirúrgica. E como saber?

O especialista nota uma diferença nos adolescentes atuais. Para ele, os jovens surpreendem, pois têm um nível de informação muito alto. Eles pesquisam tudo e chegam aos consultórios conhecendo todas as técnicas existentes.

Uma pesquisa da SBCP mostrou que Brasília está entre as cinco cidades do país com maior número de realização de cirurgias plásticas. Foram 18 mil procedimentos em 2016.

O Brasil é líder mundial no procedimento de ninfoplastia ou labioplastia (cirurgia íntima feminina). De 2015 a 2016, o aumento nessa intervenção foi de 80%, passando de 12.870 para 23.155, segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. Apesar de não existirem dados oficiais, calcula-se que metade das pacientes têm menos de 18 anos.

O assunto ainda é um tabu, e poucos jovens querem assumir ou falar publicamente sobre isso. Dois adolescentes entrevistados não quiseram ter seus nomes publicados. Nenhum aceitou fazer fotos.

As mais procuradas nos consultórios
Ginecomastia e pseudoginecomastia (crescimento das glândulas mamárias em homens e aumento causado pelo acúmulo de gordura), otoplastia (correção da chamada “orelha de abano”) e cirurgia na mama (redução ou implante de próteses) são os procedimentos mais realizados em adolescentes.

Para a cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, em alguns casos, a intervenção se faz necessária para evitar constrangimento ao paciente, melhorar sua autoestima e convívio social, a partir de uma adequação física. Ela percebe uma procura maior para diminuir a mama.

É o caso do jovem H.M.C., 15 anos. Ao perceber a mama maior que a dos colegas, começou a se esconder atrás de casacos pesados. “Festa na piscina, roupa de academia, essas coisas nem passavam pela minha cabeça. Tentava esconder, para ninguém me zoar. Minha mãe pesquisou a cirurgia, e eu fiz. Não me arrependo, faria tudo de novo”, diz.

No caso das meninas, geralmente o que pega é a questão dos seios. Ou as jovens crescem muito, e a mama não desenvolve proporcionalmente, ou ficam muito grandes, e acontecem os casos de gigantomastia.

A estudante Tirza Moura, 15 anos, foi operada há menos de uma semana. Depois de passar um ano pesquisando o procedimento e convencendo os pais, fez o implante de próteses.

Em um site, Tirza descobriu que os seios crescem somente até três anos depois da primeira menstruação, então conseguiu a atenção da mãe. Elas procuraram a doutora Ivanoska Filgueira, quem só aceitou fazer o procedimento após parecer positivo de endocrinologista e de mastologista. Não existia nenhum tratamento hormonal, apenas o implante daria resultado.

A mãe de Tirza, Luciane Moura, 43 anos, é psicóloga e percebeu os problemas de autoestima enfrentados pela filha. Mesmo relutante, conversou com o marido e decidiu ouvir os médicos, para saber se a filha poderia se submeter à cirurgia.

“O estalo foi ver a situação atrapalhando as notas dela. Minha filha só tinha esse assunto, não pensava em outra coisa. A médica nos passou muita segurança, e a Tirza já é outra pessoa. Explicamos que ter peito não é tudo na vida, existem outras prioridades, mas não nos arrependemos de termos proporcionado essa mudança e alegria”, diz.

Os procedimentos que podem esperar
Segundo a cirurgiã Marcela Scarpa, a adolescência é um período de crescimento que precisa ser muito bem avaliado. Para ela, a parte de maturação varia de pessoa para pessoa, depende de a puberdade ser mais cedo ou mais tarde – e, da mesma forma, alguns procedimentos podem ser feitos antes, outros não.

Aos 17 anos, P.H.S.G. diz não se lembrar quando o nariz começou a incomodar. As únicas coisas de que se lembra bem é a tristeza ao ouvir piadas na escola, o desconforto ao conhecer pessoas novas e tentar todos os truques para disfarçar o centro do seu rosto.

“Convenci meus pais e fiz a cirurgia com 15 anos. Muita gente falou que eu era muito nova, devia ter esperado, mas não tinha como meu nariz magicamente mudar e ficar bonito. Só quem tem complexo com alguma coisa entende a importância de corrigir. Gostei do resultado e não me arrependo”, fala a adolescente.

A opinião da médica Ivanoska Filgueira não é diferente. “Lipoaspiração e rinoplastia [correção de nariz], nessa fase, não faço. O primeiro, se não for um distúrbio sério, pode ser resolvido com dieta e exercícios. Com as redes sociais e toda essa exposição virtual, as pessoas procuram mais defeitos do que realmente têm. Se os pais tiverem alguma dúvida, quiserem um apoio para conversar melhor com seus filhos, procurem um profissional”, afirma.

Luciano Ornelas Chaves, presidente da SBCP, sugere que o implante de próteses de mamas também seja feito apenas após os 18 anos. “Do ponto de vista médico, civil, é melhor aguardar. Não deixa de ser um procedimento estético – tirando casos de reconstrução mamária – com produto sintético. Por outro lado, um caso de gigantomastia afeta a saúde, a coluna, traz desconforto respiratório, machuca ombros e deve ser tratado, sim”, defende.

fonte: Metrópole, escrita por Bruna Sabarense

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